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Emprego e redes sociais.


Cuidado com o que você diz nas redes sociais.

Você já deve ter visto a placa mais famosa do mundo espalhada por aí. Não se trata de uma propaganda de marca famosa, nem tampouco de campanha publicitária qualquer. A frase “sorria você está sendo filmado” está colada, encaixada, fixada, parafusada, adesivada em todo lugar. Será que neste momento você está sendo filmado ou filmada? Ninguém sabe só quem filma. O mundo virou um grande “Big Brother”. Não como o que a gente vê na telinha global. Do jeito que as coisas caminham elas se assemelham muito, e cada vez mais, com o romance de 1984 de George Orwell. Na sociedade descrita por Orwell, todas as pessoas estão sob constante vigilância das autoridades, principalmente por teletelas (telescreen), sendo constantemente lembrados pela frase propaganda do Estado: "o Grande Irmão zela por ti" ou "o Grande Irmão está-te observando" (do original "Big Brother is watching you"). A descrição física do "Grande Irmão" assemelha-se a Josef Stalin ou Horatio Herbert Kitchener. Não se engane muita gente sabe muito a seu respeito. E informações preciosas estão sendo processadas sobre você neste momento. Faculdade, cartão de crédito, bancos, convênio médico, pessoas que pegam o onibus com você, receita federal, a camera do supermercado, e o que eu mais acho interessante; a rede social que você anda escrevendo coisas sobre a sua vida e mais interessante ainda, expõe coisas da sua intimidade. As redes sociais têm a capacidade de mostrar exatamente quem você é. Por ser um lugar onde cada um fala o que pensa, a qualquer hora, acaba revelando coisas que comumente não revelaria em certas circunstancias. O que é mais extraordinário nas redes sociais é que ninguém pergunta nada para ninguém. Todos falam coisas, inclusive as comprometedoras, de si mesmo sem nenhuma preocupação.
Que estamos sendo observados, acho, que não é nenhuma novidade para ninguém. O problema é que mais e mais empresas estão se utilizando de redes sociais para analisar o perfil de candidatos que estão a procura de emprego no seu quadro de funcionários. Mais de 90% dos profissionais de RH pretendem usar as redes sociais no processo de seleção de funcionários segundo uma pesquisa internacional feita pela empresa norte-americana do mercado de recrutamento, Jobvite. Ao todo foram entrevistados 825 profissionais de recursos humanos em vários países.
A pesquisa revelou ainda que 78% usam o LinkedIn – rede social voltada exclusivamente para o mercado de trabalho – para processos seletivos, 55% usam o Facebook, e 45% usam o Twitter (32% a mais que em 2009). Mas o dado mais impressionante aponta que um terço dos entrevistadores sempre verifica o perfil dos candidatos nas mídias sociais antes de qualquer contratação. Os resultados apontaram que, no Brasil, 21% das empresas utilizam o meio social da internet para realizarem contratações, ficando a Espanha em segundo lugar, com 18%. Em terceiro aparecem a Itália e Holanda, ambas com um resultado de 13% cada uma, segundo reportagem da revista Isto é.
Em entrevista para a Revista Isto é, Rosana Tavares, gerente de negócios da Across, empresa de recrutamento que desenvolveu um modelo de seleção exclusivamente por meio de rede social, as empresas querem avaliar capacidade de relacionamento, maturidade, e valores pessoais, antes mesmo das competências tradicionais como formação acadêmica, língua estrangeira, experiência profissional. “Não quer dizer que uma coisa elimine a outra, mas todas têm peso semelhante para o sucesso organizacional”, afirma.
No ano passado, a Natura e a Votorantim Siderurgia optaram por esse processo. Em 2010, o número de empresas aumentou e a Across está gerenciando, com essa nova tecnologia, os processos de seleção da Bosh, HSBC, Embraco, Brasil Foods, Grupo Votorantim e Whirlpool Latin America. No ano, até setembro, a empresa está coordenando 237 vagas nesse formato, enquanto em 2009, foi responsável por 135 vagas, um crescimento de mais de 75%. A Votorantim Siderurgia usou o novo método pela primeira vez no ano passado, no programa Jovens Engenheiros. De acordo com o gerente-geral de desenvolvimento humano da empresa, Leonardo Vinci, a retenção do profissional é maior com o novo modelo. “Nos anos anteriores, em 18 meses de projeto, já tínhamos alguma desistência. Dessa vez, não”, conta.
Tome cuidado com o que você anda falando, fazendo ou até mesmo pensando nas redes sociais. Certamente alguém está te observando e você pode não perceber que já foi eliminado em um processo de seleção. Daqui para frente cada coisa que se faz tem um peso muito maior do que o que se fazia nos tempos da nossa vovozinha. Fique atento.

Rogério Loureiro para adminBrasil.

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